Capítulo Primeiro
Noite de lua cheia. Batom encarnado nos lábios, sombra, maquiagem completa. Estava pronta para mais um trabalho. O cliente pediu roupas discretas, de executiva se possível. Olhou para a lua. Não sabia por que, mas tinha uma certa ligação com ela. Olhou-se no espelho por alguns instantes, viu-se com cara de secretária. O que diria sua mãe se a visse assim? Talvez se arrependesse de tê-la expulsado de casa após saber que ela não era mais virgem e que estava grávida. Sim, tinha uma filha para sustentar. Fazia programas porque era a única saída em um país com oportunidades para poucos.
Roberta, sua filha, estudava em um ótimo colégio católico. Tinha apenas sete anos e ambicionava tudo que suas amigas ricas tinham: bonecas caras, roupas de marca, tudo do bom e do melhor. Isso tudo custava dinheiro. Letícia tinha que se prostituir para suprir os pequenos luxos de sua incompleta família. Pagar as contas.
Morava em um prédio de classe média alta, em um bairro nobre. Tinha vizinhos falsos e frívolos, que no fundo conheciam a fonte de sua renda. Fazia sexo por dinheiro e isso nunca foi bem visto pela sociedade. Recebia clientes em um flat o qual ela custeava. Era prostituta de luxo e sabia que tinha que fazer seu pé-de-meia antes que seu jovem corpo não atraísse mais deputados, homens do alto escalão, homens ricos.
Tinha sonhos. Queria morar em outro país, recomeçar longe de tudo e de todos que conheciam seu passado. Ambicionava que a filha tivesse uma educação européia, para que no futuro, Roberta desfrutasse de mais oportunidades que sua mãe.
Lembrou-se do programa, estava cedo. O flat era perto de sua casa, apenas 30 minutos de seu apartamento. Mas gostava de chegar antes do cliente, para ter a oportunidade de sentir-se um pouco só, pensar na vida... Sonhar. Apanhou um táxi, não gostava de ir com o próprio carro e os clientes sempre pagavam a “taxa de transporte”. Casados, solteiros, jovens, idosos, feios, estranhos, comuns, recebia todo tipo de clientes. Sua única condição era que seus homens pudessem pagar pelo serviço. Seu preço? 8 mil reais a noite. Algo a mais que o cliente pedisse, pagaria por fora. Era cara, mas eles nunca reclamavam, diziam que valia a pena e que pagariam o dobro se ela pedisse. O cliente de hoje era um rapaz, filho do embaixador de algum país muçulmano, não sabia ao certo. Ao telefone, Said disse-lhe que tinha recebido ótimas indicações de Letícia, que procurava descrição acima de tudo, e claro, prazer inigualável. Ela respondeu-lhe a altura: - Se fui indicada ao senhor, tenha a certeza de que valerá a pena. Deu o endereço do flat, marcou o horário, ligou para a babá da filha, disse-lhe que teria um jantar de negócios e precisava que ela ficasse com Roberta por essa noite, ela pagaria hora extra. Minutos mais tarde, chegou ao quarto do apart-hotel: lençóis limpos, geladeira cheia, champagne, morangos, camisinhas. Era um quarto arejado, no 15º andar. Não conhecia os vizinhos, nem ao menos sabia se os tinha. Tudo havia sido decorado de forma que deixasse à vontade pessoas sérias. Tudo num estilo sóbrio e discreto, cortinas em tons pastel, paredes claras, para deixar o ambiente leve. Móveis modernos porém discretos, apenas o essencial. Estava tudo pronto, o cliente demoraria mais uns 15 minutos, aproveitou para meditar um pouco, lembrou-se que ainda não havia pagado o curso de inglês de Roberta. Uma campainha tocou. Ela atendeu ao interfone e era Said. Pediu que ele subisse. Entrou, estava cheiroso, muito bem arrumado e discreto, utilizava uma camisa branca e um blazer azul marinho, calça social e sapatos pretos. Deu-lhe boa noite, ela colocou uma música para relaxar, era Rod Stuart, ela adorava. Dançaram, beberam, despiram-se, forma até a cama, ela deitou-se de costas, ele por cima, a fazer-lhe carinhos enquanto invadia seu corpo. Ela permanecia quieta, excerto por alguns gemidos que soltava ocasionalmente, para mostrar um prazer que não conseguia sentir transando por dinheiro. Ele pediu que ela mudasse de posição, ele sentou-se e ela em cima dele. Continuaram os movimentos, dessa vez ela sentiu algo, viu que ele aumentava a velocidade dos movimentos, ela também estava prestes a chegar ao ápice do prazer. Terminaram juntos, e juntos forma para a banheira. Lá já estava uma champangne francesa, extremamente gelada, com morangos, a espera do “casal”. Entraram na banheira, ele quis puxar conversa, ela, disfarçou para não mentir. Não gostava de expor sua intimidade. Ela perguntou da vida dele, ele respondeu que seu pai era um rico shaque do petróleo e que sua família era muito tradicional e de renome no país que ele nasceu. Mencionou ainda a forte influência política exercida pelo seu pai na formação geopolítica do mundo. Ela fingiu curiosidade com relação a isso, mas na verdade o que mais desejava no momento era estar em sua cama, com sua filha abraçada, a contar historinhas para crianças e ambas dormirem juntas. Logo veio a sua mente que Roberta teria um passeio no final do mês para um parque de diversões norte-americano e concluiu que com o dinheiro desse programa, ela conseguiria pagar o passeio e quem saber ir com a filha, caso nenhum cliente assíduo a procurasse na data da viagem. Said pedia mais, e ela, toda insinuante, subiu em seu colo e começou a dançar em cima de suas pernas, e dançava bem, pois o filho do príncipe logo se satisfez.
Ao levantar-se e caminhar em direção ao toillet, sentiu-se suja. A tempos que não se sentia assim, achava que já estava acostumada a ser usada como um simples objeto. Mas era isso que ela era, um objeto sexual. Sabia disso pois tirava proveito de relações sexuais, algo até muito lucrativo.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Ígaro e eu...
[...]
"A mudança da sua vida tem que partir de dentro de você"
Isso é o que eu digo para os outros. Por que eu não sigo os meus conselhos? Por que eu não estou vivendo a minha vida? Estou vivendo quantidade e não qualidade. Estou fazendo muitas coisas, e nenhuma me realiza. Por quê? Será mesmo que estou destinado a ser uma pessoa passiva na vida? Que apenas observa ela passar e auxilia os que tem problemas?
Eu sou um idiota deprimido que não sabe o que faz da vida, apenas escreve, fuma, bebe e frequenta uma universidade que não me satisfaz. [...]. Eu sinto vontade de chorar quando penso na minha vida. O que eu vou fazer da minha vida, o que eu estou fazendo da minha vida? Eu quero mudar, eu só não sei como não ser tão conformado na minha vida. Por isso que eu não sei de nada. Eu não sei amor, eu não sinto amor, eu só vejo amor e admiro. Sexo não é amor, tesão não é amor, traição não é amor.
Eu não sou eu, eu sou ninguém. Eu não me sinto Ígaro D'Àvila de Queiroz Cardoso. Esse nome carrega tantas coisas extraordinárias... Ígaro passou na UPE facilmente, é inteligente, extrovertido, se dá bem com todo mundo, é amigo, responsável, ama e tem o amor dos pais e dos amigos... Ígaro é feliz. Por que eu não me sinto como Ígaro? Tão autosuficiente, tão amado, tão sonhador... Quem sou eu? Eu sou sozinho, e era sozinho e pelo vistou vou ser sozinho para sempre. Ninguém conversa comigo, eu não converso com ninguém, eu só fumo, tomo café e escrevo. Eu não preciso que ninguém me deixe deprimido, sozinho eu faço isso perfeitamente. Os amigos de Ígaro são felizes, muitos com a ajuda dele. Por que Ígaro não consegue me ajudar?Por que niguem me ajuda? Talvez seja porque eu só apareço quando Ígaro está só e quando apareço mesmo quando Ígaro está com alguem, esse alguém não no, por que Ígaro disfaça, seja como for. Por quê?
"A mudança da sua vida tem que partir de dentro de você"
Isso é o que eu digo para os outros. Por que eu não sigo os meus conselhos? Por que eu não estou vivendo a minha vida? Estou vivendo quantidade e não qualidade. Estou fazendo muitas coisas, e nenhuma me realiza. Por quê? Será mesmo que estou destinado a ser uma pessoa passiva na vida? Que apenas observa ela passar e auxilia os que tem problemas?
Eu sou um idiota deprimido que não sabe o que faz da vida, apenas escreve, fuma, bebe e frequenta uma universidade que não me satisfaz. [...]. Eu sinto vontade de chorar quando penso na minha vida. O que eu vou fazer da minha vida, o que eu estou fazendo da minha vida? Eu quero mudar, eu só não sei como não ser tão conformado na minha vida. Por isso que eu não sei de nada. Eu não sei amor, eu não sinto amor, eu só vejo amor e admiro. Sexo não é amor, tesão não é amor, traição não é amor.
Eu não sou eu, eu sou ninguém. Eu não me sinto Ígaro D'Àvila de Queiroz Cardoso. Esse nome carrega tantas coisas extraordinárias... Ígaro passou na UPE facilmente, é inteligente, extrovertido, se dá bem com todo mundo, é amigo, responsável, ama e tem o amor dos pais e dos amigos... Ígaro é feliz. Por que eu não me sinto como Ígaro? Tão autosuficiente, tão amado, tão sonhador... Quem sou eu? Eu sou sozinho, e era sozinho e pelo vistou vou ser sozinho para sempre. Ninguém conversa comigo, eu não converso com ninguém, eu só fumo, tomo café e escrevo. Eu não preciso que ninguém me deixe deprimido, sozinho eu faço isso perfeitamente. Os amigos de Ígaro são felizes, muitos com a ajuda dele. Por que Ígaro não consegue me ajudar?Por que niguem me ajuda? Talvez seja porque eu só apareço quando Ígaro está só e quando apareço mesmo quando Ígaro está com alguem, esse alguém não no, por que Ígaro disfaça, seja como for. Por quê?
domingo, 19 de abril de 2009
De repente eu tinha poderes, telepatia, ilusão, a verdade, tudo mesmo.
Consertava a vida de todos que estavam no meu caminho, mostrando aos outros o que estava na cara e eles não conseguiam enxergar...
Sim, acordei...
Me irrito ao ver que não enxergamos o que está a um palmo de nossas vistas porque simplesmente não nos damos conta do que realmente interessa, queria ter o poder de me despir de certos pensamentos e talvez despir também essa sociedade hipócrita de certos preceitos idiotas...
[Sinto-me tão irritado que nem ao menos consigo me concentrar para escrever....}
Consertava a vida de todos que estavam no meu caminho, mostrando aos outros o que estava na cara e eles não conseguiam enxergar...
Sim, acordei...
Me irrito ao ver que não enxergamos o que está a um palmo de nossas vistas porque simplesmente não nos damos conta do que realmente interessa, queria ter o poder de me despir de certos pensamentos e talvez despir também essa sociedade hipócrita de certos preceitos idiotas...
[Sinto-me tão irritado que nem ao menos consigo me concentrar para escrever....}
sexta-feira, 27 de março de 2009
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Sobre a vida - 13 de janeiro de 2009
Já me disseram que eu tenho transtorno bipolar...
Isso eu realmente não sei responder, porque poxa, eu simplesmente expresso o que sinto muito mais que as outras pessoas, por tanto, minhas mudanças de humor são tão aparentes. Talvez seja criancisse de minha parte ser tão sincero para o mundo, quando o próprio mundo, mente ao meu coração diariamente.
Há pessoas que se aproximam de mim por pura ganânica (o porquê eu realmente não sei), outras porque sentem que sou uma pessoa bacana (eu não acho) porém me maltratam de diversas formas, seja conscientimente ou não, e eu prefiro não criar atritos, me afastando.
Se eu desaprendi a ser falso com os outros, eu não sei, tudo o que me vem a cabeça quando reflito sobre isso é que minha concepção de mundo mudou! Notei que me sinto melhor quando faço coisas boas e ignoro coisas ruins.
Claro que mudar é inevitável, e eu sinto que mudei novamente! Sinto que minhas mudanças são como a troca de pele de uma serpente. Mudo por causa de minhas decepções, me adapto às situações e pessoas com quem eu eacho necessário conviver, mas tem outras que eu simplesmente me acostumei a não ter ao meu lado e simplesmente as ignoro...
Ultimamente, após uma decepção amorosa bastante forte, eu percebi que não sou minha prioridade, e que tornando a pessoa que amo, e que não me retribui o amor, minha prioridade, há mais chances de ocorrer a tão indesejada decepção!
Vou me impor, vou tentar me por em 1º lugar, pensar antes de tudo em mim, não creio que eu vá me decepcionar comigo mesmo, e caso isso aconteça, paciência. A vida é assim, viverei conforme os dias forem passando e o destino vai me trazendo o resto.
Fui de encontro com um conselho que dei a uma amiga, faz algum tempo. Disse-lhe que antes de amar alguém, ela tem de amar a si própria. Como dei um conselho que nem eu mesmo consigo segui? Vou tentar, prometo, mas prometo a mim mesmo! =]
Isso eu realmente não sei responder, porque poxa, eu simplesmente expresso o que sinto muito mais que as outras pessoas, por tanto, minhas mudanças de humor são tão aparentes. Talvez seja criancisse de minha parte ser tão sincero para o mundo, quando o próprio mundo, mente ao meu coração diariamente.
Há pessoas que se aproximam de mim por pura ganânica (o porquê eu realmente não sei), outras porque sentem que sou uma pessoa bacana (eu não acho) porém me maltratam de diversas formas, seja conscientimente ou não, e eu prefiro não criar atritos, me afastando.
Se eu desaprendi a ser falso com os outros, eu não sei, tudo o que me vem a cabeça quando reflito sobre isso é que minha concepção de mundo mudou! Notei que me sinto melhor quando faço coisas boas e ignoro coisas ruins.
Claro que mudar é inevitável, e eu sinto que mudei novamente! Sinto que minhas mudanças são como a troca de pele de uma serpente. Mudo por causa de minhas decepções, me adapto às situações e pessoas com quem eu eacho necessário conviver, mas tem outras que eu simplesmente me acostumei a não ter ao meu lado e simplesmente as ignoro...
Ultimamente, após uma decepção amorosa bastante forte, eu percebi que não sou minha prioridade, e que tornando a pessoa que amo, e que não me retribui o amor, minha prioridade, há mais chances de ocorrer a tão indesejada decepção!
Vou me impor, vou tentar me por em 1º lugar, pensar antes de tudo em mim, não creio que eu vá me decepcionar comigo mesmo, e caso isso aconteça, paciência. A vida é assim, viverei conforme os dias forem passando e o destino vai me trazendo o resto.
Fui de encontro com um conselho que dei a uma amiga, faz algum tempo. Disse-lhe que antes de amar alguém, ela tem de amar a si própria. Como dei um conselho que nem eu mesmo consigo segui? Vou tentar, prometo, mas prometo a mim mesmo! =]
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Durma, medo meu - O Teatro Mágico
Todo o chão se abre
No escuro, se acostuma
Às vezes a coragem é como quando a nova lua
Somos a discórdia
E o perdão
E nos esquecemos da cor que tinha o céu, assim
Como a saudade
Ou uma frase perdida
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
Hmmm, não
Às vezes um "não sei"
Janela, madrugada, luz tardia
E o medo nos acorda
Pára e bate o coração
Em pura disritmia
O medo amedronta o medo
Vela, madrugada, dia, assim
Como a saudade
Ou uma frase perdida
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
No escuro, se acostuma
Às vezes a coragem é como quando a nova lua
Somos a discórdia
E o perdão
E nos esquecemos da cor que tinha o céu, assim
Como a saudade
Ou uma frase perdida
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
Hmmm, não
Às vezes um "não sei"
Janela, madrugada, luz tardia
E o medo nos acorda
Pára e bate o coração
Em pura disritmia
O medo amedronta o medo
Vela, madrugada, dia, assim
Como a saudade
Ou uma frase perdida
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
Lavava, cozia, passava
cozinhava, conversarva, fumava
sorria, cuidava da mamãezinha...
Esse era o dia-a-dia de Fatinha.
Sonhava com o futuro que desperdiçou,
foi Marista, seus sonhos alcançou.
Subiu, subiu, subiu tanto quem mal conseguia olhar para baixo
A vida deu-lhe uma queda
Ela quase não superou
Abriu os olhos, olhou para frente, viu que tinha caído e disse a si mesma:
"Levanto-me, pois do chão não passo!"
Ergueu-se e viu que a vida não era mais como antes tinha vivido.
Sabia que tudo seria um desafio.
Não olhou para trás, pegou na mão do filho, deu o braço a mãe,
e seguiu em frente de cabeça erguida!
cozinhava, conversarva, fumava
sorria, cuidava da mamãezinha...
Esse era o dia-a-dia de Fatinha.
Sonhava com o futuro que desperdiçou,
foi Marista, seus sonhos alcançou.
Subiu, subiu, subiu tanto quem mal conseguia olhar para baixo
A vida deu-lhe uma queda
Ela quase não superou
Abriu os olhos, olhou para frente, viu que tinha caído e disse a si mesma:
"Levanto-me, pois do chão não passo!"
Ergueu-se e viu que a vida não era mais como antes tinha vivido.
Sabia que tudo seria um desafio.
Não olhou para trás, pegou na mão do filho, deu o braço a mãe,
e seguiu em frente de cabeça erguida!
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